Sobre

Como tudo começou…

Nasci em 1964. Desde muito pequena, o desenho fazia parte da minha vida. Guardo lembranças muito especiais da infância. Às vezes, depois de terminar o macarrão que minha mãe preparava, desenhava no prato com o molho de tomate. Fazia carinhas, nuvens e tudo o que minha imaginação inventava. Outras vezes, desenhava com açúcar. Hoje percebo que isso é muito natural na infância: desenhar é uma das primeiras formas que a criança encontra para se expressar.

Árvores. Sol. Lua. Tudo despertava minha vontade de desenhar.

Lembro-me de que, por volta dos nove anos, era incapaz de olhar para uma folha de papel em branco sem sentir vontade de preenchê-la com desenhos. Cresci em uma família com sete irmãos, cercada de acontecimentos, brincadeiras e muita imaginação. O desenho me acompanhou durante toda a infância e continua comigo até hoje.

Eu passava horas olhando para as nuvens, imaginando formas e criando personagens, como tantas crianças fazem.

Também gostava de costura. Minha mãe tinha uma máquina de costura industrial e eu sonhava em costurar com ela. Aos sete anos, sentei-me pela primeira vez diante daquela máquina, mas meus pés ainda não alcançavam o pedal. Lembro até hoje da frustação que senti naquele momento. Era cedo demais, mas o sonho já existia.

Na escola, meus colegas frequentemente me pediam:

— Desenha isso para mim?

E eu desenhava.

Apesar disso, eu não gostava de desenhar com régua. Achava que o desenho precisava ser livre. As linhas retas, as medidas e a geometria me desanimavam. Eu queria desenhar movida apenas pela imaginação.

Naquela época, eu ainda não entendia muito bem o que sentia. Hoje percebo que meu olhar sempre estava um pouco à frente e isso, às vezes, era confundido com rebeldia. Por isso, nem sempre foi fácil fazer as coisas exatamente como esperavam de mim.

O tempo passou. Cresci e compreendi que o desenho infantil tinha um encanto próprio, mas senti que eu também precisava crescer. Aos 14 anos fiz um curso de figurinista. Mais tarde, escolhi estudar Publicidade e Propaganda na FAAP e segui essa profissão por muitos anos.

Durante esse período, o desenho adormeceu.

Casei, formei minha família e realizei outro grande sonho: abrir uma confecção. Durante doze anos desenhei roupas, transformando ideias em peças que ganhavam vida. Foi um período muito especial da minha trajetória.

Mas, em 2010, quando meus filhos já estavam crescidos, senti que algo dentro de mim despertava novamente.

Pensei:

“Agora é a hora de voltar a desenhar.”

Retomei os estudos, reencontrei antigos aprendizados e comecei outra vez pelos rostos. Depois vieram os corpos, os personagens e, aos poucos, percebi que aqueles desenhos queriam contar histórias.

Foi assim que nasceu meu primeiro livro infantil, A Fazenda Girassol.

Depois veio o meu o romance Ângela e assim foi…

Percebi que aqueles personagens que um dia existiam apenas no papel podiam ganhar vida, emocionar crianças e despertar a imaginação de novas gerações.

Hoje, cada livro que escrevo e ilustro carrega um pedacinho daquela menina que desenhava no prato de macarrão, observava as nuvens e sonhava em transformar desenhos em histórias.

Para mim, algumas pessoas escrevem histórias. Outras desenham personagens. Eu descobri que meu maior sonho era fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

Hoje, os desenhos e as histórias também se transformaram em outras criações —   objetos e produtos que nascem no Estúdio e que posso convidar você a levar para a casa.

Com carinho,

Neide Góes.